E se alguém me perguntar se sou capaz de falar em voz alta tudo que escrevo aqui direi que duvido muito, não tem nada demais... no entanto existem coisas que ficam melhores escritas do que faladas. Confesso que muitas vezes falo o que deveria apenas pensar, pra não machucar... outras vezes penso o que gostaria de falar e assim desabafar, mas há palavras...que jamais poderei escrever.

Ops...vc entrou! Que bom, dê uma olhada, pode ler... tirar suas conclusões, deixe sua opinião, sugestão, crítica, eu preciso saber o que tenho de melhor e de pior, melhorar a cada dia... e vc é muito importante, o blogueiro não precisa só do leitor, precisa do seu comentário também! Não falte... compareça sempre que puder!Bjim

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A crise nos E.U.A


Gente... queria entender melhor essa história que ouvi o Lula falando que iria fazer de tudo para a crise imobiliária dos E.U.A não atingir o Brasil! Então li vários artigos pra entender um pouquinho, como não domino o assunto, resolvi escolher um artigo que melhor me esclarecesse sobre esse episódio! E os devidos credito de quem escreveu!


A crise imobiliária e o Brasil



Todos nós estamos acompanhando as recentes turbulências nos mercados financeiros mundo à fora. Turbulências estas iniciadas com o eminente mega-calote dos "mutuários" americanos do setor "sub-prime".

Mas, o que é este tal de "sub-prime"? Basicamente, são pessoas que não possuem meios de garantir o pagamento de seus empréstimos, ou seja, não possuem bens à serem "tomados" em caso de inadimplência.

Na melhor das hipóteses, a garantia é o próprio bem financiado (Casa, apartamento, etc.).Mas você emprestaria dinheiro a alguém, sem garantias de que receberá este dinheiro de volta?Os bancos e fundos americanos emprestaram, e emprestaram muito dinheiro.

E mum tempo em que os juros mundiais estão bastante baixos, busca-se alternativas para a uma maior remuneração do capital, e na grande maioria das vezes, estas alternativas são mais arriscadas. Troca-se risco por remuneração maior, o famoso "trade-off".Com a enorme oferta de crédito inundando o mercado imobiliário americano, as construtoras previram um aumento considerável no consumo de unidades de moradia, e "saíram" construindo, e construindo, e construindo.

O fato é que a tal demanda não apareceu, e o mercado ficou saturado de ofertas de casas. Deste modo, de acordo com a lei da oferta e da procura, o preço dos imóveis, no geral, caiu, e caiu bastante.Esta queda no valor das unidades habitacionais acabou gerando uma aberração financeira.

Um "mutuário", por exemplo, paga um financiamento de US$300.000,00 de seu imóvel, que com a queda dos preços, vale US$ 150.000,00.Veja que, neste ponto, duas coisas bastante perigosas passam a "assombrar" os credores:

1 - O imóvel, que seria a garantia do financiamento, cobre apenas 50% do mesmo.

2 - O "mutuário" sente-se bastante tentado a simplesmente deixar de pagar o financiamento e abandonar seu imóvel.

E é esta incerteza sobre o recebimento dos financiamentos que tem deixado o mercado bastante apreensivo. O maior medo é que o calote se espalhe aos demais setores da economia americana, e até mundial.

Algo bem possível de acontecer se observarmos a teoria do "Estouro da Boiada"*, proposta pelo economista Hyman Minsky**

Mas o que isso tem a ver com o Brasil?Bem, na minha opinião, muito!Nos últimos 4 anos a oferta de crédito aumentou 200%.

Todo dia somos bombardeados na TV, rádio, outdoors, e até mesmo abordados na rua com a promessa de dinheiro fácil.Esta oferta maciça de crédito tem tornado o brasileiro cada vez mais endividado.

E esta dívida vem, sistematicamente, alongando sua duração. Hoje já é possível comprar um automóvel em 72 parcelas!

O Brasileiro nunca esteve tão endividado como agora.Por um lado, a oferta de crédito é boa. Alavanca o mercado e gera investimentos, mas por outro lado, num país com uma economia ainda frágil, e sem cultura financeira, como o Brasil, é um risco bastante relevante.

Conheço várias pessoas que comprometem mais de 70% de seus rendimentos mensais com pagamentos de carnês, crediários e financiamentos. Um absurdo! É a "cultura Casas Bahia". Ao menor sinal de instabilidade, estas pessoas vão se tornar inadimplentes.

E quanto maior o número de inadimplentes, maior os juros cobrados pelas financeiras, criando maior dificuldade para o refinanciamento de dívidas, gerando mais inadimplentes.... alimentando o círculo vicioso que pode levar a uma quebradeira geral, bem parecida com aquela do mercado americano.Estamos vivendo um período de pujança econômica.

Nunca se consumiu tanto neste país. A indústria automobilística, por exemplo, nunca vendeu tanto. É recorde atrás de recorde.

Seria tudo muito legal, lindo, se esta pujança fosse fruto do aumento da renda e dos níveis de emprego, mas não é.

Tudo isso é fruto do crédito. As pessoas não estão comprando porque ganham mais, estão emprestando para comprar.

Sem querer aqui ser pessimista, ou até mesmo catástrofista, sem aumento real de renda, e com o endividamento sistemático da população, em certo momento isso tudo vai "estourar". Pode ser um "traque", pode ser uma bomba.... o tempo dirá.* http://en.wikipedia.org/wiki/Financial_crisis** http://en.wikipedia.org/wiki/Hyman_Minsky


Postado por Adriano Aurelio Araujo às 05:48

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